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Não há mal que nunca acabe

por Jorge Ribeiro Mendonça, em 16.02.14

A economia portuguesa cresceu 1,6% no último trimestre de 2013 quando comparado com igual período de 2012. Não só cresceu em percentagem relevante como inverteu um ciclo de quatro trimestres seguidos a decrescer.

Esta notícia vem a par de outras como a queda do desemprego que fechou o ano em 15,4%, representando o décimo mês consecutivo de queda da taxa de desemprego.

É caso para dizer “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”!

Esta semana no caderno Economia do Expresso (15.02.2014) vem uma peça refrescante e que nos deve deixar a pensar que apesar deste caminho de pedras por que estamos a passar, estamos diferentes de há três anos atrás. Portugal está mais atrativo para o investimento, melhor ou pior foi feito um ajustamento e este ano novo de 2014 está a ser um ano de regresso do entusiasmo e confiança à economia portuguesa.

Diz então Isabel Vaz, Presidente Executiva da Espírito Santo Saúde: “Há três anos quando fizemos um roadshow pelo estrangeiro para apalpar o terreno, os investidores não queriam sequer ouvir falar em Portugal.”

E acrescenta “houve uma evolução clara, associada ao trabalho extraordinário que, entretanto, o País conseguiu fazer, não obstante existir ainda um longo caminho a fazer.” Isabel Vaz demonstra esta mudança com uma taxa de sucesso através da compra de ações da Espírito Santo Saúde por 60 investidores dos 100 investidores institucionais contactados.

Olhemos, pois, para este exemplo que demonstra e, bem, os primeiros raios de bonança depois da tempestade que se abateu sobre Portugal. Portugal está outra vez no mapa do investimento. Vemos isso na taxa de desemprego a cair ou no PIB a crescer, e sentimos isso no entusiasmo dos investidores.

Aproveitemos e surfemos esta onda, que todos merecemos!

 

Nota: Não posso deixar ainda de trazer mais uma citação. Diz Isabel Vaz “Uma das coisas bonitas no mercado de capitais é que o preço correto é aquele que é dado pelos investidores institucionais.” Aqui está uma maneira diferente de olhar. E muito bem!

Nota 2: A história do desemprego estar a baixar é mais complicada, e merecia um post autónomo. Há que ter em consideração a emigração e aquele que me parece a variável mais determinante, o número daqueles que deixam de ser considerados desempregados por terem deixado de ser apoiados pelo Estado Social. Curiosamente os sindicatos e oposição têm-se agarrado mais ao argumento dos que saem do País e esquecem os desempregados de longa duração, que deixaram de ter trabalho, apoios sociais e a consideração dos partidos e dos sindicatos.

 

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publicado às 15:24

A disciplina partidária e as escolas de pensamento único

por Jorge Ribeiro Mendonça, em 13.02.14

Quando Rui Moreira ganhou como independente as eleições autárquicas no Porto disse uma frase que já aqui repeti e que volto a lembrar: “se os partidos não perceberem o que se passou aqui hoje não percebem nada”.

Vários meses volvidos, nada mudou. E está pior!

Os partidos estão a levar a cabo limpezas internas daqueles que por professarem ideias que circunstancialmente são diferentes do pensamento do líder são objeto de perseguições e processos disciplinares.

Vem isto a propósito da expulsão de António Capucho do PSD. Mas também podemos trazer à liça a balcanização do Bloco de Esquerda e a certeza de que nenhum partido com assento parlamentar em Portugal foge às limpezas ideológicas.

Um partido que se dá ao luxo de deitar um membro fundador com uma história de longa atividade, militância e lealdade ao partido é humilhante, não para o visado, mas para o partido cujo conselho de jurisdição determinou a expulsão.

O problema reside bem mais fundo do que a mera análise casuística do fulano A ou B. Nem todos têm o peso do António Capucho e por isso não esperam pela expulsão, saem pelo próprio pé, outros não aceitam as regras do jogo e por isso não se submetem ao jugo partidário.

Não pode um regime democrático aceitar que os partidos que enchem o hemiciclo se rejam por regras que favorecem a manutenção do pensamento único e potenciem os yes men e expulsem, limitem ou por qualquer forma impeçam que os filiados pensem pela sua cabeça.

Aceitar que os partidos continuem a enxovalhar quem tem a ousadia de pensar pela sua cabeça, é aceitar que os partidos fiquem entregues a uma minoria reduzidíssima de militantes (minoria essa que impõe os seus candidatos a todos), é aceitar que cada vez menos pessoas se apresentem nas urnas para votar, é aceitar que os cidadãos deixem de se rever na política.

Recomendo dois artigos muito interessantes:

a)      De Henrique Monteiro, Expulsões e divisões - do PSD ao Bloco

b)      De Daniel Oliveira, A expulsão de Capucho e os partidos que temos.

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publicado às 23:15

A Europa, com especial incidência no centro, tem por vezes os impulsos nacionalistas inexplicáveis. Não se pode deixar de lamentar o resultado do referendo realizado na Suíça que dá luz verde à imposição de maiores restrições à entrada de imigrantes na Suíça e ao estabelecimento de um direito de preferência dos trabalhadores suíços sobre os trabalhadores estrangeiros.

Tentar ver o problema na perspetiva do benefício económico que os trabalhadores estrangeiros trazem à economia é uma visão redutora e não pode ser o argumento decisivo.

Este resultado na Suíça tem um contexto de crescimento dos nacionalismos na Europa. A Suíça fecha as suas fronteiras aos estrangeiros, em França a tensão entre comunidade francesa e estrangeira é constante e pela Europa vai-se encontrando o aparecimento de forma cada vez mais clara de movimentos nacionalistas que importa compreender e estar atento.

Na verdade, dentro da UE vai aumentando igualmente o sentimento antieuropeu, sendo o caso britânico um expoente neste exemplo, mas não o único. É um resultado da crise que ataca fortemente o projeto europeu.

A prosperidade e a paz na Europa têm caminhado a par e ao longo da história os períodos de paz entre os povos têm correspondido a tempos de criação de maior riqueza. Fechar fronteiras é dar espaço ao afastamento entre os povos, é estimular a divisão e a desconfiança é no fim de contas empobrecer, do ponto de vista económico e social.

Por outro lado, o pensamento autossuficiente e totalitarista inerente aos nacionalismos é muito perigoso por estimular a ideia de que há povos melhores do que outros, ideologias que tiveram resultados tão perversos e graves há menos de um século.

A União Europeia, muito bem, reagiu de forma veemente ao resultado conhecido na Suíça. Dependendo da forma como a Suíça avançar com a revisão das leis anti-imigração, impõe-se uma revisão da relação entre a União Europeia e a Suíça. Mas não basta olhar para o que se passa fora da União e ser consequente, é preciso entender os movimentos que crescem dentro da União e que a vão corroendo por dentro. Mas acima de tudo é fundamental trazer esperança renovada e entusiasmo ao projeto europeu.

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publicado às 11:46

Mapa Judiciário: Mudar para que tudo fique na mesma

por Jorge Ribeiro Mendonça, em 06.02.14

O Mapa Judiciário tem alimentado nos últimos tempos muitos protestos e declarações apaixonadas dizendo que com o fim dos tribunais acaba-se a justiça para todos e que se viola a Constituição.

Com todo o respeito, até agora não vi nenhum argumento racional contra o encerramento de 20 tribunais e as tais declarações apaixonadas não são mais do que o reflexo conservador de querer manter tudo na mesma por mero sentimento e amor ao tribunal da terra.

Não sei se é por ter origens no Distrito com menos tribunais deste País e de um concelho que não tem sequer um tribunal, ou por não me achar muito conservador, mas considero que Portugal precisa desta reforma como de pão para a boca.

Comecemos por olhar para o mapa, nem todos os concelhos de Portugal têm tribunais. É verdade! E nem sequer têm de ter. E não é por isso que a justiça deixa de servir a toda a gente.

Em segundo lugar, não consigo ver qual é o prejuízo de os tribunais serem concentrados em unidades maiores, mantendo-se a distribuição pelo território nacional. Não estamos a falar de um habitante de Meda ter de recorrer aos tribunais de Lisboa ou do Porto, vai ter de ir ao Concelho vizinho.

Em terceiro lugar, não consigo perceber porque é que os tribunais hão de ter mais dependências do que os serviços de finanças ou os hospitais para não falar de bancos ou outras empresas.

Por fim, se atentarmos no número de interações que cada cidadão tem com o tribunal percebemos que esta discussão é ridícula. Cada um olhe para o número de vezes que a título pessoal visitou um tribunal e fica elucidado. A média nacional deve situar-se qualquer coisa à volta de 0 (zero).

Olhando para o novo mapa judiciário apenas concluo que se ficou muito (mas muito mesmo!) aquém daquilo que devia ser feito, pois:

a)      São extintos 20 tribunais e convertidos 27 outros tribunais em serviços de proximidade – o que dito de outra forma corresponde a pouco alterar ou, possivelmente, piorar;

b)        Perde-se a oportunidade para acabar com mais tribunais espalhados por todas as santas-terras deste País tenham ou não movimento que justifique a sua manutenção.

Ao fim e ao cabo, a reforma que hoje se vai aprovar é apenas o mexer em algo para que tudo fique na mesma… ou pior.

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publicado às 15:09





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